Em janeiro de 2012 o Banco Postal terá os Correios e o Banco do Brasil na sua operação. O Bradesco que vinha usando toda a estrutura da ECT desde 2001 perdeu a licitação para o banco estatal.
Quando foi realizada a primeira licitação para o Banco Postal, ainda no ano de 2000, o Bradesco venceu com uma proposta de R$ 200 milhões, muito acima da proposta apresentada pela Caixa Econômica Federal. Naquele momento era nítido que o governo federal (FHC) não acreditava na proposta de Banco Postal forte, tanto que o próprio Banco do Brasil não chegou a apresentar nenhuma proposta e a Caixa Econômica Federal apresentou um valor simbólico de 01 centavo. Essa paralisia do governo federal fez um banco privado se aproveitar de toda a estrutura dos Correios e assim elevar seu lucro anual.
Os trabalhadores dos Correios sofreram, e ainda sofrem, com a falta de infraestrutura para operar como correspondente bancário. Não tem segurança, faltam condições adequadas de trabalho, não há treinamento no mesmo nível da complexidade do trabalho e que por muitas vezes ocasiona diferenças financeiras que sobra para o Atendente Comercial pagar.
Passados mais de dez anos o governo federal, agora, parece acreditar na viabilidade do Banco Postal. Tanto é assim que três bancos participaram da fase final da licitação, sendo dois deles estatais. A Caixa Econômica Federal chegou a oferecer uma proposta de R$ 1,8 bilhão, mas a disputa ficou mesmo entre o Bradesco e o Banco do Brasil, com propostas de R$ 2,25 bilhões e R$ 2,3 bilhões, respectivamente.
Caso o governo federal não tivesse acreditado no Banco Postal o Bradesco poderia ter vencido a licitação com um valor muito inferior e continuaria a explorar os trabalhadores dos Correios por mais dez anos sem gastar muito.
A FENTECT sempre defendeu que a ECT tivesse um Banco Postal próprio, onde o lucro deste serviço ficasse na própria empresa. O movimento sindical ainda acredita nesta opção e vai lutar pelo crescimento da empresa e não aceitará a exploração da força de trabalho dos ecetistas por outras empresas. O que se pode esperar da direção dos Correios é de que o valor obtido na licitação seja investido na empresa com mais infraestrutura e segurança para os trabalhadores, além de gratificações de função compatíveis com o trabalho executado.
