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26 de Novembro de 2019 às 18:06

Ataque de Paulo Guedes a petroleiros ameaça mais uma vez a democracia

Créditos: REUTERS
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Não são apenas as reformas perversas promovidas pelo ministro da Economia que ferem a democracia ao promover cada vez mais desigualdade. Durante uma entrevista em Washington, nos EUA, Paulo Guedes comentou a possibilidade de que as medidas neoliberais tomadas pelo Governo resultarem em um movimento semelhante ao que ocorre no Chile e afirmou em tom de ameaça: “não se assustem se alguém pedir AI-5 no Brasil”. 

Além de mencionar o pior e mais cruel Ato Institucional - que institucionalizou a perseguição de cidadãos que se opunham à ditadura - o ministro ainda disse que se fosse presidente da Petrobras demitiria os trabalhadores grevistas, ignorando totalmente o direito constitucional de livre organização e greve.

O autoritarismo de Guedes e seu alinhamento ao governo Bolsonaro não são novidades, mas preocupam. Não apenas por se tratar de um membro do governo que demonstra total desprezo pela democracia, mas porque em conjunto com o judiciário, tentam desestabilizar as entidades de luta dos trabalhadores.

Na última semana o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, concedeu liminar que suspende cláusulas do Acordo Coletivo dos Trabalhadores dos Correios. Nesta segunda-feira (25) foi a vez do ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra Martins, de impedir trabalhadores petroleiros de realizarem uma greve em contra o descumprimento do Acordo Coletivo da categoria. Se isso não é motivo para greve, quais motivos restarão?

Não bastasse a extinção do Ministério do Trabalho e o desmonte da Justiça do Trabalho que segue sendo sucateada, aqueles que deveriam zelar pelo direito de organização dos trabalhadores se aliam aos patrões para desarticular e tentar calar o movimento sindical. 

A escalada autoritária do governo não será freada com a boa vontade daqueles que detém privilégios. Apenas a mobilização da classe trabalhadora pode forçar uma retomada da economia que não se baseia em jogar os trabalhadores na miséria. A recessão agora é tratada como positiva por grupos que sempre conspiraram contra a democracia. Estes mesmos grupos continuam tratando a fala de Paulo Guedes, os surtos do presidente Bolsonaro e as oscilações do mercado como corriqueiras a fim de naturalizar a desigualdade alarmante. 

O Brasil pode, por inúmeras razões, não se transformar em Chile ou se somar aos protestos contra o neoliberalismo que vem ocorrendo na América Latina, mas a coragem da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e tantas outras entidades que ainda resistem a esse projeto antipovo continuarão a dificultar a vida dos golpistas e fascistas tupiniquins. 

A FENTECT se solidariza aos companheiros petroleiros e repudia a fala do ministro e o serviço sujo que ele se propôs a prestar. Infelizmente não causa espanto vindo de alguém que nunca se preocupou em manter a dignidade sempre que o mercado lhe fez algum aceno.

 


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