Brasília-DF:

Falta de infraestrutura das agências dos Correios colocam em risco ecetistas e população

02/07/2012
Falta de infraestrutura das agências dos Correios colocam em risco ecetistas e população

A situação precária em que trabalham os 14 mil funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) do Rio de Janeiro (RJ) chega a assumir caráter de saúde pública. Os ecetistas e a população convivem diariamente com a falta de infraestrutura das agências do Estado, que envolvem desde infiltrações, rachaduras e fios expostos até esgoto à céu aberto e falta de água potável. Entre as unidades mais alarmantes estão o Centro de Distribuição Domiciliar (CDD) de Vila de Cava e os Centros de Entrega de Encomendas (CEE) de Campos Elisios, Santa Cruz da Serra, Caxias e Nova Iguaçu. 

Para o diretor da Federação Nacional Trabalhadores dos Correios (Fentect), Emerson Marinho, as más condições das unidades dos Correios expõem tanto a população quanto os funcionários à poeira constante e a lama misturada ao esgoto, que podem causar desde lesões pulmonares até diferentes doenças de pele por bactérias. 

Funcionário dos Correios há seis anos, Ronaldo Luiz de Almeida descreve o cenário caótico que 80 ecetistas do CEE de Nova Iguaçu enfrentam diariamente. "As condições aqui são as piores possíveis. Não tem ventilação e a sensação térmica chega a 50ºC no verão. Os banheiros têm vazamento e chove dentro da unidade, porque tem telha faltando. Às vezes falta até água potável”, desabafa. Segundo Ronaldo, são 1.500 m² e apenas um funcionário responsável pela limpeza. “O chão é cheio de poeira. É casca grossa de poeira. Eu estou alérgico por conta disso”, relata. 

A sobrecarga de demandas em meio às péssimas condições de trabalho e falta de pessoal acaba por refletir na população, que opta pelo serviço postal. O atraso nas entregas chega a ser de até uma semana, em média. No Centro de Triagem, mais de 100 contêineres de tamanho mediano colecionam cargas porque a unidade não tem como escoar os objetos enviados pelo Correio. Para os funcionários, a solução seria a mudança imediata de localização das unidades e novas contratações a partir da realização do último concurso público realizado no ano passado. "Só aqui no Rio faltam mais de 2 mil funcionários. A população está sendo penalizada pela imprudência da empresa", disse Emerson. 

De acordo com o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo da Silva, a falta de infraestrutura nos Correios não atinge somente as unidades do Rio de Janeiro, mas todo o cenário nacional. Apesar de a empresa ter promovido algumas melhorias nos CDDs, as reformas são insuficientes para o tamanho do problema enfrentado pelos trabalhadores diariamente. “Em algumas regiões do país as coisas estão muito difíceis. Na Bahia, por exemplo, tem prédios no centro de Salvador com ninhos de pombos e sem ar condicionado e segurança para os trabalhadores. Essa é uma situação que os Correios precisam se debruçar e resolver. E nós do movimento sindical iremos cobrar isso da ECT e denunciar no Ministério Público do Trabalho toda essa falta de infraestrutura e condições de trabalho”, ressalta Rivaldo.

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